REFLEXSONS


Caruaru. Decepção no maior e melhor São João do mundo

No último sábado, 08/06/2013, estava em Caruaru e como nunca tinha ido lá nessa época do ano, aproveitei para dar uma olhada na Vila do Forró e no Pátio do Forró, os locais mais badalados da cidade e que justificam o título de maior e melhor festança junina do mundo. E no domingo dia 09/06/13, ao Alto do Moura. 
Passei primeiro na Vila do Forró, onde encontrei estruturas estilizadas de madeira, lembrando prédios e ruas de cidades de interior, estátuas dos santos festejados no mês com suas respectivas histórias, um belo coreto artístico com uma bandinha de pífanos, num belo trabalho de isopor e figuras matutas, a caráter, também em isopor, distribuídas por todo o espaço, muito boas para tirar fotos. Um palco popular com apresentações de música regional, na hora se apresentava um grupo cantando coco de roda, bem legal. Também um pátio coberto, pequeno para a quantidade de pessoas, destinado a apresentações e competições das já famosas quadrilhas  estilizadas que cada vez mais se parecem com escolas de samba cariocas, dado a quantidade de efeitos especiais, encenações e figurinos ofuscantes, coreografadas milimetricamente e se tornando shows de encher a vista. Há também um palco alternativo com misturas musicais interessantes. Poucas opções gastronômicas para paladares mais exigentes e, evidentemente, barracas e tendas com as típicas comidas da época nem sempre tão higiênicas. Um aspecto comum que percebi em toda a Vila, são as péssimas acomodações para os clientes dos bares e restaurantes que se propõem a acolher os clientes. São cadeiras e mesas bastante inconfortáveis, em ambientes apertados e algumas vezes até bagunçados. SE você pretende ir até a Vila, reze para não estar chovendo, pois há problemas no escoamento da água e corre-se o risco de ter que se passar em lugares com água cobrindo os pés. Mas o pior de tudo, e inadmissível para uma festa desse almejado quilate, são os esgotos estourados espalhando fedentina e sujeira em vários locais da Vila, fazendo as pessoas saírem pulando pra tentar evitar o contato com porcarias várias, e também, praticamente não existem lixeiras, a gente tem que colocar o lixo onde quiser. 
Depois da Vila, me dirigi ao Pátio do Forró e já no caminho percebe-se o movimento bem maior com o ir e vir de muita gente, centenas de vendedores de todo tipo de bugingangas, bebidas, cigarros, comidas mal cheirosas e enfumaçadas, também lama, sujeira, lixo no chão, esgotos estourados, afinal é lá onde acontecem os grandes shows com as bandas e artistas contratados quase a peso de ouro para deliciar as multidões que se contam a partir dos milhares. Nem discuto a qualidade musical disso que agora chamam de forró, já que qualidade musical agora se mede por quantidade comercial. Enfim, o tal Pátio do Forró realmente é muito grande, com um palco enorme, bem estruturado e camarotes que parecem confortáveis, com as esperadas mordomias pra quem quer gastar bem mais. No chão, onde fica a maioria dos milhares, encontra-se o que se quiser encontrar de diversidade humana. Para entrar, uma revista básica feita por policiais masculinos e femininos, e pronto, após isso você se depara com muitos locais de venda de bebida e comida e espaço para levar aperto, sentir hálito de bebida, baforadas de fumaça de cigarros e outras fumaças, ouvir palavrões, muitos palavrões, gente, muita gente mal educada e bêbados, muitos bêbados, bêbados de todas as idades, principalmente jovens e menores, sendo levados nos braços dos outros menos bêbados. Ali se desconhece expressões como: por favor, com licença, desculpe ou obrigado. Nunca vi tanta gente mal educada reunida num só lugar. Enquanto isso, telões de led de última geração exibiam o show de uma banda que se diz tocar forró (?), despejando acordes e vozes anasaladas entre bundas e requebros de mulheres seminuas. Passados alguns minutos dentro daquele caldeirão de apertos e destratamentos, decidi sair dali o mais depressa possível. Ainda bem que não tinha ido muito longe, dentro da multidão e achei logo a saída. Ufa, consegui sair até rápido. Se não estivesse tão cansado teria saído correndo.
Mas, pensa que acabou? Não senhor, não senhora. No dia seguinte, domingo pela manhã, inventei de ir até o famosíssimo Alto do Moura, outro lugar badaladíssimo da cidade, notadamente nessa junina época. E lá fomos nós. Ao sair do centro, em direção ao notável Alto, no trajeto, começamos a ver gente, muita gente, a pé, indo na mesma direção. E o grupo, dentro do carro, discorria sobre o assunto. Pra onde iriam todas aquelas pessoas? Claro que para o Alto do Moura, evidentemente. E o trânsito parou. E a multidão tomou conta da rua. E os carrinhos de churrasquinho fumacento fumaçaram mais e mais. E os carrinhos de venda de cerveja anunciavam  produto: “ CELVEJA LATRÃO  2,00” (desculpe se escrevi errado).
E as motos com seus pilotos e caronas, ocupavam cada espaço livre entre carros e pessoas. E os carros estacionados em fila dupla ou tripla ou qualquer coisa ligaram seus sons estridentes com forrós estilizados e pornográficos. E mulheres rebolavam mostrando peitos e pelancas em excesso. E a falta de educação imperava mais uma vez. E guardas de trânsito tentavam organizar o caos. E nós ali, presos, admirados e arrependidos por estar ali. E um trio elétrico a frente. E a multidão só aumenta. E o desespero também. Estávamos a menos da metade do caminho. Constatamos, não há a mínima estrutura viária para se chegar ao Alto do Moura. Mas, depois de 42 minutos parados, um suado e paciente guarda de trânsito conseguiu nos liberar para uma rua lateral e saímos daquela provação. No outro dia, soube que o alvoroço era a festa do maior cuscuz do mundo. Ainda bem que não consegui chegar nem perto. Saí da cidade e só voltarei após o Maior e Melhor São João do mundo acabar. Mas nas fotos é tudo muito bonito. E na televisão, no palco e nos camarotes deve ser sensacional.

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