REFLEXSONS


Seu Nô

Pense num cabra ignorante. Agora pense num cabra brabo. E pense de novo num cabra que não gosta de muita conversa. Isso é mais ou menos, aproximadamente, a tentativa mais próxima de descrever Seu Nô.
Moço e moça que ainda lêem essa linhas vou tentar ser mais direto, pois  andaram dizendo que me delongo demais nos meus escritos, principalmente por se tratar de publicação em internet, como se a leitura aqui tivesse de ser mais ligeira que em outros cantos. Será que no computador a gente tem que ler mais rápido ? Será que Bill Gates fica vigiando a gente lá do USA, enquanto a gente passa os olhos na tela ? É bem capaz dele (o Bill) ficar cronometrando os olhos da gente bulindo pra lá e pra cá, contando quantas palavras se lê. Vixe!
Pois é, ta vendo? Já me delonguei de novo. Voltando a Seu Nô, pra você ter uma idéia da criatura, dia desses, numa tarde quente, estava ele andando pelo comércio da cidade, na intenção de comprar mais um danado de um celular (não sei se ele é viciado em celular ou em perder celular). Fazendo aquela peregrinação pesquisológica   (de loja em loja pesquisando preços e modelos) , do jeito dele é claro. Decidiu a loja e entrou. Escolheu a vendedora que estava sem clientes no momento e pediu pra ver um determinado aparelho, de determinada marca. A moça pegou e começou a descrever as funções do celular e demonstrar as várias funções . De repente Seu Nô levantou a mão pedindo para ela parar de falar e despachou - Oxi, e pra que gota serena eu vou querer gravar conversa alheia,  filmar e saber da hora no resto do mundo? Esse bicho faz ligação ? A moça  esbugalhou um pouco os olhos, engoliu em seco, deu um sorriso meio sem graça e respondeu – Pois não senhor, vou pegar um modelo mais simples pra ver se o senhor se agrada mais. – pegou outro aparelho e mostrou ao cliente – Pronto, esse aqui faz ligação e também tem  lanterna, e um radinho, pode ser?
Seu Nô perguntou – Tem viva voz ?
-Tem sim – respondeu a vendedora.
- Então dê um teste nele pra eu ver – retrucou
A vendedora ligou o celular, mostrou alguns comandos.
 – Pronto, pode arrumar que vou levar –  ele falou, já tirando a carteira do bolso.
- Pois não senhor, nós parcelamos em até dez vezes, em qualquer cartão.
- Olhe moça, eu só compro dividido de carro prá cima e se for o jeito. Mas graças a Deus vai ser em dinheiro mesmo. E muito obrigado pela sua paciência. Me dê a nota pra eu pagar no caixa e boa tarde.  E se dirigiu ao caixa. Isso demonstra o auge da delicadeza que Seu Nô é capaz de mostrar. Com pessoas que ele não conhece é muito educado (dá pra perceber não?)
Aconteceu outro dia, pela manhã, ainda na mesma cidade. Seu Nô estava entrando numa lanchonete e de repente um moço parou abruptamente em sua frente. Seu Nô tentou desviar  mas não deu tempo e deu um encontrão no rapaz, fazendo com que um pacote que estava na mão dele (do rapaz) desse umas três voltas no ar e quando estava a uns vinte centímetros do chão, num passe de malabarismo, Seu Nô conseguiu segurar o dito cujo pacote, devolvendo em seguida ao  assustado moço. E foi logo dizendo – Oxi, me desculpe seu moço, mas também o senhor parou de vez. Esqueceu alguma coisa foi?
O rapaz, muito arrumado, com uma calça quase esverdeada bem ligada e uma camiseta meio rosada, estava parado, com a mão na boca e a respiração ofegante do susto – Ai moço, desculpe tambem, ai meu Deus, aff, que coisa, é que ... eu tava pensando se tava com sede ou não, e enquanto decidia,  parei assim de repente. Foi aí que Seu Nô percebeu que o moço tava mais pra moça do que pra rapaz e sem titubear foi logo dizendo - Apois então me deixe passar e pra me desculpar pelo esbarrão venha comigo que eu também to querendo tomar uma água. E quem paga sou eu.
O rapaz arrumado levou a outra mão também à boca, suspirou meio que virando os olhos, bateu a vista de cima a baixo em Seu Nô e o seguiu até o balcão. E ele ia dizer que não ia ? Seu Nô pediu duas garrafinhas de água mineral e dois copos descartáveis, serviu o rapaz, tomou a sua garrafa inteira, quase de um gole só, sem usar o copo, pagou a conta e se despediu do moço – Inté moço – enquanto o moço, apenas suspirava e suspirava, enquanto os outros clientes observavam a cena.  Bem, já deu pra ter uma idéia dessa personalidade incomum chamada Seu Nô. Ele é assim mesmo.
Pronto, agora dei uma olhada e vi que to falando demais. Já me lembrei até do Bill (o Gates) me vigiando e vou parar por aqui. Na próxima semana, se eu me lembrar, digo a razão de Seu Nô se chamar assim. E olhe que o nome verdadeiro dele é Jeronilzo, Nô é um apelido. Mas olhe, aqui entre nós, não precisa se apressar em ler rápido demais não viu. Manda esse Bill Gates arranjar uma trouxa de roupa pra lavar.
Inté moço e moça.

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